Queres que te fale de amor?

E dizem que a felicidade é isto mesmo. Sair do banho e ver-te em frente ao espelho a fazer o nó da gravata, adormecer com o teu sabor a invadir-me o corpo todo, olhar-te nos olhos e ver-me lá dentro, sermos apanhados de mãos dadas no meio da multidão, roubar-te beijos na copa e sair a discutir parametros físicos, tocar-te com o meu pé descalço por baixo da mesa de almoço sem ninguém ver, sorrir-te com o corpo inteiro, passar por ti e sentir que me desejas de alto a baixo, e ouvir-te chamar-me amor logo pela manhã.

Collecting your jar of hearts

Tenho alguma dificuldade em assumir que a culpa é minha. Tento sempre dar a volta à situação. O papel de vítima cai-me muito melhor. É simples, fácil de decorar, com poucas alterações de cena. O que me torna na grande má da fita. Porque além de fazer merda ainda ponho a culpa nos outros. Não há pior vilã. A grande diferença é que desta vez,mesmo que não tivesse assumido, quem perdia era eu. E perdi. Agora é fechar os olhos, imaginar que tenho os pés na relva e seguir em frente. O passado está lá atrás. E como me disseram aqui há tempos, tenho de parar de olhar para o futuro de costas.

He said,

Se algum dia gostares de mim metade do que gosto de ti, sou um homem feliz.

E depois pecebo que,

perdi anos da minha vida. Que era o teu mostruário. O teu par-do-parecer-bem. Levavas-me à rua como se levam os animais de estimação. Mostravas-me aos teus amigos, aos teus colegas de trabalho, olha que gira que ela é, e fala e tudo, e se disseres uma piada até percebe e sorri, olha que sorte a minha. Mas o que me irrita mais é não perceber se estou mais chateada contigo ou comigo. Olha, com a vodka e o tabaco é que não estou, por isso vou ali fazer amor com eles.

Afinal não existem primeiras vezes aos vinte e quatro anos,

existem repetições.

Páginas Amarelas Parte X

Se há coisas que me dão a volta ao estômago são as coisas do antes de.

Would you kill to prove you're right?

Vou contar-te uma história. Destesto homens, iguais a ti, que partem do pressuposto que as mulheres funcionam da mesma forma. Porque vocês sim, são todos feitos da mesma massa. Largam a caixa de Pandora nas nossas mãos, ligam a camera, luzes, acção e agora vamos lá testar as ratinhas no laboratório. Achas mesmo que me podes testar? Achas mesmo que tudo o que está cá dentro é assim tão linear? Que vou chorar porque viveste? Que te ligaria se não soubesse já do que estavas à espera? Tenho uma noticia para ti, foste apanhado na tua própria ratoeira. Não jogues comigo. Já me deitei com o meu inimigo, lembraste? Se não os consegues vencer junta-te a eles. Nunca jogues quando tens alguma coisa a perder. E nunca, nunca me tomes por garantida. Quero lá saber da primeira, da segunda, das que foram e tiveram de ser. Pelos vistos foram todas iguais ao litro. Eu, eu sou a pior adversária que podes ter. É que se for preciso perco, só para saber que te deixei ganhar.

Control yourself

Kristen Stewart by Michael Thompson


Já me senti um bicho selvagem. Tudo o que tinha não me chegava, andava sempre à procura de mais. Nada me satisfazia, nada me matava a sede de ter mais e mais. Corria atrás do que queria, mantinha situações paralelas e passados minutos fartava-me. Escondia-me de todos, tinha uma vida parela da qual ninguém descofiava. Mas voltava sempre a ti. Era capaz de fazer as maiores atrocidades, levantava-me a meio da noite para voltar para casa, sentava-me no chão, encostada à porta de entrada e apertava-me com força. Para descer à realidade. Para me sentir menos vazia e mais cheia de ti. Sempre lutei contra o poço sem fundo que tenho cá dentro. Agora, melhor que nunca, sei contorná-lo e onde por os pés para não cair. Às vezes espreito lá para dentro e tenho uma certa vontade de me atirar de cabeça. Mas depois lembro-me do que aconteceu connosco e fujo dele a sete pés. É que o problema dos poços sem fundo é não se ver a luz lá em cima e quando te levei comigo fiz por perder-te no meio da escuridão.

Por outro lado,

passo os dias a fazer sexo tântrico.

Do you ever feel like a plastic bag drifting throught the wind wanting to start again?

E largar tudo, meter a roupa essencial dentro de uma mala de viagem, o dinheiro que tenho dentro do bolso das calças, apanhar um avião com destino às Maldivas, oferecer-me como recepcionista num hotel e ficar por lá? Levantar-me todos os dias num postal que enviamos a fazer inveja aos amigos, não pegar no carro para enfrentar o trânsito da segunda circular, não ter de andar com dois telemóveis e um computador atrás, não usar saltos altos, e por aí fora.

Acham que era de valor?

Last night

Senti-o atrás de mim ainda antes de me virar. Petrifiquei. A batalha interior não me permitia mexer um milímetro. Perguntei-me se tinha a certeza do que estava prestes a fazer. Não obtive resposta. Virou-me e olhou-me nos olhos. Lembro-me de pensar se conseguiria olhar nos teus no dia seguinte. Encostou o corpo dele ao meu e senti o pulsar do meu coração. Como um animal assustado. Depois tive a certeza. Todas as mentiras, desilusões, traições,que fui descobrindo ao longo do tempo gritavam-me aos ouvidos. Afastei-o de mim e disse-lhe para não se mexer. Se ia trair-te, queria ser eu a controlar cada gesto.

Páginas Amarelas Parte IX

E as estatísticas passaram para metade. Já não era sem tempo. Agora metam o nariz nas biomédicas e afins se faz favor que aqui não se aprende nada.


sim, quando estou com mau humor digo tudo o que me vem à cabeça.

Porque dizes que contigo estou sempre a sorrir,



I can't stay on the ground

Exigimos sempre demais uns dos outros. Criamos mundos e fundos na nossa cabeça e depois é vê-los desabar como peças de legos uns atrás dos outros. É por isso que nada é perfeito. Ninguém é perfeito. Nada corre como imaginamos. As exigências só servem para nos desiludir e pedir aos outros o que eles não podem / querem dar. Mas a confiança. Essa é uma questão completamente diferente. Apresentarem-nos um muro de três metros e dizerem-nos que somos capazes de saltar parece uma loucura. Negamos, damos voltas e voltas, olhamos de soslaio para o muro para que nos pareça mais pequeno, mas nunca de frente. Se nos dão a oportunidade de o contornar nem olhamos para trás. Mas, e quando confiam em nós mais do que nós próprios? Quando nos olham nos olhos como fazem com os super heróis, do género, estás à espera de quê para saltar? Somos capazes de dizer que não? Inventamos desculpas a contar com o fracasso? Ou fechamos os olhos com força e acreditamos que realmente é possivel voar? O muro está mesmo aqui. À espera que salte. Atrás tenho uma multidão a assistir. E eu ainda estou à espera que me cresçam as asas.

Vou falar-te de amor pela primeira vez

E depois olho para trás e vejo que valeu a pena toda a merda pela qual passei, se o resultado foi encontrar-te.

Show must go on

Não há nada pior do que assistir a lutas interiores. Não. Afinal há. Pior só mesmo assistir a lutas interiores de pessoas de quem gostamos e não podermos fazer nada. É como fazer zapping, ter o azar de passar num canal em que passam documentários de crianças a morrer à fome e o comando ficar sem pilhas. Somos obrigados a ficar sentados, em frente ao ecran gigante, as imagens entram-nos pelos olhos dentro e temos de permanecer naquela posição até ao fim. Podemos fazer claque, bater palmas, dar apoio moral, mas é impossível intervir. São as batalhas próprias, os testes individuais, a maneira de cada um crescer. E dói. E dói tanto de sentir como de ver. Ter a imparcialidade de ver o caminho errado que estão a escolher sem qualquer tipo de influência é de fazer gelar os ossos.

Sinto-me um cubo de gelo.

As discussões são pré-requisito para sexo escaldante.

Vou falar-te de amor...



God ! (3)

- Pareces-me com má cara...
- Querida isso é porque agora és comprometida.
- O que tem isso a ver?
- É que quando eras solteira e desesperada parecia-te um donuts!

Das modernices,

enquanto cozinhas para mim, entretenho-me a ver um filme pornográfico.

Páginas Amarelas Parte VIII

É fantástico perceber que as pessoas me julgam pelo que escrevo neste blog. Ai que ela é uma coitadinha, ai que ela está caidinha por ele, bla bla bla, pardais ao ninho e por aí fora. E agora está triste e agora está contente e agora é uma porca. Hey, gente. Wake up. Isto só se resume a um diálogo que tive aqui há tempos:

- O que fazes?


- Canto.


- O quê?


- Músicas... E tu o que fazes?


- Escrevo.


- O quê?


- Palavras.







Ok?

I have no story to be told

O amor faz-nos mal. Come-nos a carne e rói os ossos. Deixa-nos suspensos, numa corda bamba, e obriga-nos a tomar decisões à pressão. Mata e mói. Tudo ao mesmo tempo. Dá com uma mão e tira com a outra. E talvez seja mesmo verdade o que dizem. Talvez esteja mesmo caidinha por ti. E não seria tudo tão mau se não carregasse já uma mochila de uma tonelada às costas. É que assim que me sinto abandonada a minha cabeça viaja. Para uma realidade lá atrás. Em que ele me rejeitava dia sim, dia não. Obrigava-me a correr atrás e quando me apanhava lembrava-me que nunca corria o suficiente para estar ao lado dele. Quando ele passou a meta e se esqueceu de mim pelo caminho, jurei a mim mesma nunca mais participar em maratonas. Deixei secar as bolhas e relaxei os músculos e jurei a mim mesma que alguém devia correr atrás de mim, e cheguei mesmo a desejar ter a força para deixar alguém para trás. Mas não sou capaz. Tenho um coração demasiado pequeno para ti e grande demais para seres o único lá dentro. Estamos só na fase do aquecimento...não me obrigues a desistir agora. É que posso perfeitamente correr à tua frente.

Das fantasias de ontem

Enquanto chovia lá fora, tu estavas dentro de mim.

Just to remind you

Às vezes tenho medo de mim. Ultimamente então tem sido demais. Ou as coincidências acontecem mesmo. É que acabei agora de ler um rascunho que te escrevi há cerca de quatro meses. E tudo, tudo o que te desejei naquelas poucas palavras já aconteceu. Não gostaste pois não?

Eu cá adorei.

E não é verdade?

"Ando para aqui desconfiado que isso de ser mulher não passa, no fundo, de se estar a vida inteira sem ter a certeza se alguém gosta mesmo de nós ou se só servimos para sexo."


Das fantasias

Fecho os olhos com força e tento desligar o cérebro do corpo. -Está quieta.

A tua mão aproxima-se e toca-me, envolvo-me nas tuas pernas, respiro mais depressa.

-Está quieta.

Despes-me devagar, demoradamente, metodicamente, encosto os meus lábios aos teus.

-Está quieta.

Agarras-me o cabelo e puxas-me a cabeça para trás, começo involuntariamente a mexer-me, a pedir-te mais.

-Se não estiveres quieta, vou parar.

Páro, obedientemente.

-Não tens vergonha de fazeres tudo o que te mando?

Acerca de mim

A minha foto
O meu nome é Joana. Sou insatisfeita por natureza, quero sempre mais e sempre melhor. Sou indecisa, mas quando me decido vou até ao fim do mundo. O meu sonho é fotografar o mundo e as coisas bonitas que nos rodeiam. O meu grande sonho é não ter limites para o fazer.