E dizem que a felicidade é isto mesmo. Sair do banho e ver-te em frente ao espelho a fazer o nó da gravata, adormecer com o teu sabor a invadir-me o corpo todo, olhar-te nos olhos e ver-me lá dentro, sermos apanhados de mãos dadas no meio da multidão, roubar-te beijos na copa e sair a discutir parametros físicos, tocar-te com o meu pé descalço por baixo da mesa de almoço sem ninguém ver, sorrir-te com o corpo inteiro, passar por ti e sentir que me desejas de alto a baixo, e ouvir-te chamar-me amor logo pela manhã.
Collecting your jar of hearts
Tenho alguma dificuldade em assumir que a culpa é minha. Tento sempre dar a volta à situação. O papel de vítima cai-me muito melhor. É simples, fácil de decorar, com poucas alterações de cena. O que me torna na grande má da fita. Porque além de fazer merda ainda ponho a culpa nos outros. Não há pior vilã. A grande diferença é que desta vez,mesmo que não tivesse assumido, quem perdia era eu. E perdi. Agora é fechar os olhos, imaginar que tenho os pés na relva e seguir em frente. O passado está lá atrás. E como me disseram aqui há tempos, tenho de parar de olhar para o futuro de costas.
E depois pecebo que,
perdi anos da minha vida. Que era o teu mostruário. O teu par-do-parecer-bem. Levavas-me à rua como se levam os animais de estimação. Mostravas-me aos teus amigos, aos teus colegas de trabalho, olha que gira que ela é, e fala e tudo, e se disseres uma piada até percebe e sorri, olha que sorte a minha. Mas o que me irrita mais é não perceber se estou mais chateada contigo ou comigo. Olha, com a vodka e o tabaco é que não estou, por isso vou ali fazer amor com eles.
Would you kill to prove you're right?
Vou contar-te uma história. Destesto homens, iguais a ti, que partem do pressuposto que as mulheres funcionam da mesma forma. Porque vocês sim, são todos feitos da mesma massa. Largam a caixa de Pandora nas nossas mãos, ligam a camera, luzes, acção e agora vamos lá testar as ratinhas no laboratório. Achas mesmo que me podes testar? Achas mesmo que tudo o que está cá dentro é assim tão linear? Que vou chorar porque viveste? Que te ligaria se não soubesse já do que estavas à espera? Tenho uma noticia para ti, foste apanhado na tua própria ratoeira. Não jogues comigo. Já me deitei com o meu inimigo, lembraste? Se não os consegues vencer junta-te a eles. Nunca jogues quando tens alguma coisa a perder. E nunca, nunca me tomes por garantida. Quero lá saber da primeira, da segunda, das que foram e tiveram de ser. Pelos vistos foram todas iguais ao litro. Eu, eu sou a pior adversária que podes ter. É que se for preciso perco, só para saber que te deixei ganhar.
Control yourself
Já me senti um bicho selvagem. Tudo o que tinha não me chegava, andava sempre à procura de mais. Nada me satisfazia, nada me matava a sede de ter mais e mais. Corria atrás do que queria, mantinha situações paralelas e passados minutos fartava-me. Escondia-me de todos, tinha uma vida parela da qual ninguém descofiava. Mas voltava sempre a ti. Era capaz de fazer as maiores atrocidades, levantava-me a meio da noite para voltar para casa, sentava-me no chão, encostada à porta de entrada e apertava-me com força. Para descer à realidade. Para me sentir menos vazia e mais cheia de ti. Sempre lutei contra o poço sem fundo que tenho cá dentro. Agora, melhor que nunca, sei contorná-lo e onde por os pés para não cair. Às vezes espreito lá para dentro e tenho uma certa vontade de me atirar de cabeça. Mas depois lembro-me do que aconteceu connosco e fujo dele a sete pés. É que o problema dos poços sem fundo é não se ver a luz lá em cima e quando te levei comigo fiz por perder-te no meio da escuridão.
Do you ever feel like a plastic bag drifting throught the wind wanting to start again?
E largar tudo, meter a roupa essencial dentro de uma mala de viagem, o dinheiro que tenho dentro do bolso das calças, apanhar um avião com destino às Maldivas, oferecer-me como recepcionista num hotel e ficar por lá? Levantar-me todos os dias num postal que enviamos a fazer inveja aos amigos, não pegar no carro para enfrentar o trânsito da segunda circular, não ter de andar com dois telemóveis e um computador atrás, não usar saltos altos, e por aí fora.
Acham que era de valor?
Last night
Senti-o atrás de mim ainda antes de me virar. Petrifiquei. A batalha interior não me permitia mexer um milímetro. Perguntei-me se tinha a certeza do que estava prestes a fazer. Não obtive resposta. Virou-me e olhou-me nos olhos. Lembro-me de pensar se conseguiria olhar nos teus no dia seguinte. Encostou o corpo dele ao meu e senti o pulsar do meu coração. Como um animal assustado. Depois tive a certeza. Todas as mentiras, desilusões, traições,que fui descobrindo ao longo do tempo gritavam-me aos ouvidos. Afastei-o de mim e disse-lhe para não se mexer. Se ia trair-te, queria ser eu a controlar cada gesto.Páginas Amarelas Parte IX
E as estatísticas passaram para metade. Já não era sem tempo. Agora metam o nariz nas biomédicas e afins se faz favor que aqui não se aprende nada.
sim, quando estou com mau humor digo tudo o que me vem à cabeça.
I can't stay on the ground
Exigimos sempre demais uns dos outros. Criamos mundos e fundos na nossa cabeça e depois é vê-los desabar como peças de legos uns atrás dos outros. É por isso que nada é perfeito. Ninguém é perfeito. Nada corre como imaginamos. As exigências só servem para nos desiludir e pedir aos outros o que eles não podem / querem dar. Mas a confiança. Essa é uma questão completamente diferente. Apresentarem-nos um muro de três metros e dizerem-nos que somos capazes de saltar parece uma loucura. Negamos, damos voltas e voltas, olhamos de soslaio para o muro para que nos pareça mais pequeno, mas nunca de frente. Se nos dão a oportunidade de o contornar nem olhamos para trás. Mas, e quando confiam em nós mais do que nós próprios? Quando nos olham nos olhos como fazem com os super heróis, do género, estás à espera de quê para saltar? Somos capazes de dizer que não? Inventamos desculpas a contar com o fracasso? Ou fechamos os olhos com força e acreditamos que realmente é possivel voar? O muro está mesmo aqui. À espera que salte. Atrás tenho uma multidão a assistir. E eu ainda estou à espera que me cresçam as asas.
Vou falar-te de amor pela primeira vez
E depois olho para trás e vejo que valeu a pena toda a merda pela qual passei, se o resultado foi encontrar-te.
Show must go on
Não há nada pior do que assistir a lutas interiores. Não. Afinal há. Pior só mesmo assistir a lutas interiores de pessoas de quem gostamos e não podermos fazer nada. É como fazer zapping, ter o azar de passar num canal em que passam documentários de crianças a morrer à fome e o comando ficar sem pilhas. Somos obrigados a ficar sentados, em frente ao ecran gigante, as imagens entram-nos pelos olhos dentro e temos de permanecer naquela posição até ao fim. Podemos fazer claque, bater palmas, dar apoio moral, mas é impossível intervir. São as batalhas próprias, os testes individuais, a maneira de cada um crescer. E dói. E dói tanto de sentir como de ver. Ter a imparcialidade de ver o caminho errado que estão a escolher sem qualquer tipo de influência é de fazer gelar os ossos.
Sinto-me um cubo de gelo.
God ! (3)
- Pareces-me com má cara...
- Querida isso é porque agora és comprometida.
- O que tem isso a ver?
- É que quando eras solteira e desesperada parecia-te um donuts!
- Querida isso é porque agora és comprometida.
- O que tem isso a ver?
- É que quando eras solteira e desesperada parecia-te um donuts!
Páginas Amarelas Parte VIII
É fantástico perceber que as pessoas me julgam pelo que escrevo neste blog. Ai que ela é uma coitadinha, ai que ela está caidinha por ele, bla bla bla, pardais ao ninho e por aí fora. E agora está triste e agora está contente e agora é uma porca. Hey, gente. Wake up. Isto só se resume a um diálogo que tive aqui há tempos:
- O que fazes?
- Canto.
- O quê?
- Músicas... E tu o que fazes?
- Escrevo.
- O quê?
- Palavras.
- O que fazes?
- Canto.
- O quê?
- Músicas... E tu o que fazes?
- Escrevo.
- O quê?
- Palavras.
Ok?
I have no story to be told
O amor faz-nos mal. Come-nos a carne e rói os ossos. Deixa-nos suspensos, numa corda bamba, e obriga-nos a tomar decisões à pressão. Mata e mói. Tudo ao mesmo tempo. Dá com uma mão e tira com a outra. E talvez seja mesmo verdade o que dizem. Talvez esteja mesmo caidinha por ti. E não seria tudo tão mau se não carregasse já uma mochila de uma tonelada às costas. É que assim que me sinto abandonada a minha cabeça viaja. Para uma realidade lá atrás. Em que ele me rejeitava dia sim, dia não. Obrigava-me a correr atrás e quando me apanhava lembrava-me que nunca corria o suficiente para estar ao lado dele. Quando ele passou a meta e se esqueceu de mim pelo caminho, jurei a mim mesma nunca mais participar em maratonas. Deixei secar as bolhas e relaxei os músculos e jurei a mim mesma que alguém devia correr atrás de mim, e cheguei mesmo a desejar ter a força para deixar alguém para trás. Mas não sou capaz. Tenho um coração demasiado pequeno para ti e grande demais para seres o único lá dentro. Estamos só na fase do aquecimento...não me obrigues a desistir agora. É que posso perfeitamente correr à tua frente.
Just to remind you
Às vezes tenho medo de mim. Ultimamente então tem sido demais. Ou as coincidências acontecem mesmo. É que acabei agora de ler um rascunho que te escrevi há cerca de quatro meses. E tudo, tudo o que te desejei naquelas poucas palavras já aconteceu. Não gostaste pois não?
Eu cá adorei.
E não é verdade?
"Ando para aqui desconfiado que isso de ser mulher não passa, no fundo, de se estar a vida inteira sem ter a certeza se alguém gosta mesmo de nós ou se só servimos para sexo."
pelo T no seu Mundo Hipotéticos dos Se's
Das fantasias
Fecho os olhos com força e tento desligar o cérebro do corpo. -Está quieta. A tua mão aproxima-se e toca-me, envolvo-me nas tuas pernas, respiro mais depressa.
-Está quieta.
Despes-me devagar, demoradamente, metodicamente, encosto os meus lábios aos teus.
-Está quieta.
Agarras-me o cabelo e puxas-me a cabeça para trás, começo involuntariamente a mexer-me, a pedir-te mais.
-Se não estiveres quieta, vou parar.
Páro, obedientemente.
-Não tens vergonha de fazeres tudo o que te mando?
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Acerca de mim
- Joana
- O meu nome é Joana. Sou insatisfeita por natureza, quero sempre mais e sempre melhor. Sou indecisa, mas quando me decido vou até ao fim do mundo. O meu sonho é fotografar o mundo e as coisas bonitas que nos rodeiam. O meu grande sonho é não ter limites para o fazer.



