Porque há sempre vidas melhores que a minha. O mundo gira, gira sem qualquer sentido, sem rumo nem destino, sem sair do mesmo sítio, faz-me lembrar de mim. Porque já não posso ouvir Radiohead, está tudo demasiado corroído do tempo e do medo. As pessoas olham, naquele segundo consentido e não percebem o que vai cá dentro, o que me faz lembrar de mim. Desejos por corresponder, carne que não vê carne, há demasiado tempo. A cabeça que roda, roda sem pensar, sem respostas ou razão. E o mundo passa, a vida passa, e eu quero voltar para casa. Para perto de todos os que são meus e onde me faz lembrar de mim. Porque já não sei chorar e escrever ao mesmo tempo. Músicas sem vontade escondidas no mp3, repeat, repeat. E já não quero voltar à cidade branca e subir degraus, quero ver luz cá dentro e sem nuvens lá fora. Don’t leave me high, don’t leave me dry. Aqui no chão frio, um tecto despido, demasiado cansada para fixar o olhar, para voltar a ter equilíbrio e perceber o porquê do mundo não parar de oscilar. Está tudo repleto de desníveis sem aviso, uma placa de perigo ao pisar. E a vontade de gritar alto, cada vez mais alto, de bater na parede e sentir o peso do tempo e da pressão, God put a smile upon your face. Foda-se.
Love hurts
- O que é o amor para ti?
- É estar com uma pessoa a quem me apetece atirar com um machado à cabeça todos os dias e, por uma qualquer razão inexplicável, não o faço.
Esta é tua R.
Shut your mouth
Se há coisas que me fazem confusão são pessoas que se acham muito inteligentes, senhoras de si, com direito a pedestal e tudo. Passam por nós com aquele ar superior, de quem não está minimamente interessado em descer do "palco" e falar com a plebe. Criticam tudo e todos, nada do que os outros fazem está como deve ser. E isso não pode ser assim e não concordo, de todo. Mas quando estão no momento certo para se chegarem à frente e abrir a preciosa boquinha, só sai merda. Literalmente.
Don't lie to me
A vida é baseada em mentiras. Maiores menores, todas têm a sua relevância. Mentimos por amor, por medo, por orgulho, por maldade. Mentimos para não mostrarmos a nossa insegurança e para agradarmos aos outros. E quando mentimos a nós próprios? Quando fingimos que está tudo bem e não se fala mais nisso? Não gosto de perguntar está tudo bem?, porque nunca está. Ninguém está bem. Há contas para pagar, amizades perdidas, dores secretas, empregos entediantes, sonhos desfeitos e ervilhas debaixo dos colchões. Então, porque insistem responder sim, está ? Comigo não está, e com vocês?
A princesa e a ervilha
Não fode, nem sai de cima. É uma expressão que caracteriza o dia-a-dia de várias pessoas. Como aquelas que nos aparecem à frente caídas do céu, enchem-nos o coração de gomas e confetis e depois puff. Nem uma atitude decente. Ora o que chateia é que o coração excitadíssimo com a mais recente descoberta, seguida de uma desilusão barata (daquelas que nem têm nível para romance), não consegue acompanhar a montanha-russa destas situações pseudo-românticas. E adoece. Muitas vezes gravemente. É vê-lo com arritmias, insuficiências e fadiga crónica. Fica-se doente do coração e do amor. Porque é o amor que mata o coração. Lentamente. Mas o músculo involuntário lá conhece um médico cardiologista porreiro, umas receitas SOS e a coisa resolve-se. E o amor? Como se resolve o amor? Com chá e torradas? Exercício físico? Canja de galinha? Noitadas com os amigos? Não me parece. O amor mal resolvido torna-se na ervilha que, debaixo de vinte colchões, atormentou a princesa toda a noite. Mesmo com outros vinte em cima, vai continuar a doer.Don't touch my moleskine
Enquanto adormecia escrevi um post na minha cabeça. Com direito a título e tudo. Daqueles bem giros, que só me surgem muito de vez em quando. Palavra por palavra, até as vírgulas estavam no lugar certo. E caí no sono a sorrir, porque tinha imensa graça. E hoje quando me sentei para escrevê-lo, pimba! Varreu-se-me! Nem sequer consigo lembrar-me do assunto. O que me leva a duas conclusões possíveis. Sou um génio da literatura, tipo Fernando Pessoa, que escreveu Álvaro de Campos praticamente numa noite. Pouco provável. Ou preciso urgentemente de um moleskine em alerta na mesa de cabeceira. Vou já tratar disso.
Com direitos de autor (1)
" O que eu sei das mulheres, meus amigos, é isto: elas são muita gente ao mesmo tempo. Como se trouxessem todas as variedades de vida dentro dos seus corpos. Elas são feiticeiras e anjos e putas. E homens, também. Todavia, são capazes de destapar o céu e agradecer. Nós não sabemos fazer nenhuma destas duas coisas."
Íntimos de Inês Pedrosa
Yes, I can
Desenvolvi uma dependência quase visceral com a minha cidade. A minha terra. A minha casa. Onde estão as minhas histórias e o meu céu azul. Mas ontem alguma coisa mudou. Sentada, a olhar para onde o mar se funde com o céu. Percebi que esta nunca vai ser a minha vida, a minha gente, o meu sal, mas posso e consigo e quero ser feliz aqui.
That's the way it is
Gosto de um homem que abra a porta para eu entrar, que me peçam se faz favor e acabem com muito obrigado, de dormir de lado com uma perna dobrada e a outra esticada, de bolo de chocolate, que me expliquem as coisas mais do que uma vez, de receber margaridas, de sapatos da Fly London, de passear de inverno junto ao mar, de sessões de fotografia, que me ofereçam maquilhagem, de roer as unhas, de ler um livro por semana, de chorar a ver filmes tristes,de homens altos e de desaparecer de vez em quando. E pronto. Mas não gosto nada de dizer pronto.
Desculpa, mas vou chamar-te amor
Apetecia-me um amor adolescente. Daqueles que me faz sonhar enquanto estou acordada. Faltar às últimas aulas da tarde para uns beijos roubados atrás do ginásio. Escrever o nome dele em todas as páginas do livro de Inglês. Esconder uma fotografia debaixo da almofada e contemplá-lo até adormecer. Confessar nos inúmeros diários que sem ele não consigo respirar. Dar as mãos durante um filme de terror no cinema e partilhar a mesma pastilha elástica. Desenhar os nossos nomes numa árvore perdida no meio da cidade. Responder às mensagens sem pensar duas vezes no sentido das palavras. E poder chamar-lhe amor.
We can make the best or the worst of it
Começar de novo. Pelo princípio. Pelo fim. O que interessa. Interessa, sim, começar de novo. Lavar a cara e as mãos e enfrentar o mundo que não pára de girar. Carregar no reset e ter uma nova perspectiva. Ir até ao fim do mundo se for preciso. Esquecer palavras, sonhos, ilusões. E começar tudo de novo. Perceber o que é bom para nós. O que nos faz bem.
Afinal, não é preciso procurar muito.
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Acerca de mim
- Joana
- O meu nome é Joana. Sou insatisfeita por natureza, quero sempre mais e sempre melhor. Sou indecisa, mas quando me decido vou até ao fim do mundo. O meu sonho é fotografar o mundo e as coisas bonitas que nos rodeiam. O meu grande sonho é não ter limites para o fazer.

