Cães vadios

A solidão é uma coisa estranha sabes. Quando estás sentado ao meu lado e a minha cabeça viaja sinto-me tão longe de ti como se estivesses a milhas de distância. Hoje não é o caso. Tenho a cabeça bem aqui, em cima dos ombros, colada ao pescoço. Abro o roupeiro só para ser invadida pelo teu cheiro. Durmo colada à tua almofada. Uso as tuas expressões. E embora saiba que vai ser por pouco tempo, parece que tenho uma eternidade à nossa espera. Mas o que me deixa mais triste é saber que não vou conseguir transmitir-te isto quando voltares para mim. Vou abraçar-te, sentir o teu calor de sempre, mas será tudo o que te vou dar de mim. Chama-me fria, chama-me bruta, chama-me a tua menina. Não sei se o sou. Mas quero. Queria saber dar-te mais de mim como no passado. Queria não ter medo de saíres porta fora e ficares a ganhar. Sou, no fundo, um cão rafeiro. Daqueles que são abandonados pelos donos, habituam-se ao frio do alcatrão à noite, a desconfiar de quem lhes dá de comer e fogem sempre que se aproximam. Não foste tu que me abandonaste. Não foste tu que me atiraste do carro em adamento para o meio da estrada. Mas és tu que lidas com as consequências disso. Lembra-te só que a minha reacção não se deve a gostar menos de ti do que tu de mim, os cães vadios atacam quando têm medo. E eu sou uma rafeira vadia que prefere morder-te a deixar-te abandonar-me.

A mil

Tenho saudades de ter quem puxe por mim. De ouvir do outro lado do telefone se não vens, não falo mais contigo. De ser convidada para 10 jantares de Natal e inventar desculpas para não ir a metade. De adormecer stressada a pensar que amanhã tem tudo para correr mal. De sonhar com carros novos que não são meus. De acreditar que faço alguém feliz por percorrer 160 km numa noite para cantar os parabéns. Mais que tudo tenho saudades de ser reconhecida pelos que gosto. De ser aquela que chega às duas da manhã e está a bocejar no meio da pista de dança enquanto me olham com cara de se vais embora agora, levas um tiro. Reconheço-me desde sempre como uma alma velha, mas não uma que se deixa levar pelos dias e pelas horas mortas, sem fazer nada em contrário. Neste momento, sinto-me prisioneira de mim mesma. Como se fosse inevitável, como se pedir mais fosse egoísta e infantil. Sim, tenho quase idade para ser mãe, já tenho emprego, já tenho casa, já tenho namorado, já tenho um ordenado certo ao final do mês. Mas também tenho muita vontade de continuar a fazer disparates, de perder a cabeça, de andar a mil. Tenho vontade de ser eu, só mais uma vez.

Atrevo-me a dizer que contigo o mundo é cor-de-rosa.


Love in a box

Gosto de ti agora. Não daqui a cinco minutos, uma hora ou um mês. É agora e é aqui. O meu coração grita por ti agora. Ao ver a primeira fotografia que te tirei. Como se tivesse sido noutra vida. Mas desejo-te agora. Como cada vez que acordo antes de ti e o mundo me cai em cima do peito com força só de te ter ao meu lado. É um estado de graça sem precedentes, sem demoras, sem pressas, sem horas. É o estar aqui e gostar de ti. Tão natural como se falasse em respirar. Tão acesso, tão presente, tão meu. E apesar de gostar de ti neste minuto que ainda não passou, tenho medo de não te ter no que está para vir. Posso ficar sem ti agora. Posso nunca ter-te tido. Posso já não te ter mais. Mas este amor que me enche o corpo ocupa demasiado espaço para ser guardado onde quer que seja. Por isso diz-me, se já não fores meu no próximo minuto, o que faço ao meu amor por ti?

We will survive

"Adapt or die." As many times as we've heard it, the lesson doesn't get easier. Problem is, we're human. We want more than just to survive. We want love. We want success. So we fight like hell to get those things. Anything else feels like death.


Grey's Anatomy

You, my paradise




O ano de 2011 foi de longe o melhor ano da minha vida. De tudo o que já vivi, valeu a pena sofrer, arrastar-me, lamber as feridas e experimentar 2011. Foi, sem sombra de dúvida, o mais exigente, responsável e feliz de sempre. Não me arrependo de nada que fiz para trás, foram todas as decisões e atitudes que tomei que me trouxeram aqui. A 2011. Ao príncipio da minha vida. Não gosto de falar de barriga cheia, até porque ainda não acabou, nem de me gabar. Mas orgulho-me de vos poder dizer, pela primeira vez, para acreditar. Por favor, acreditem. Batam com força no chão, nas paredes, rastejem na merda, levantem-se com a ajuda dos amigos e à custa de muitas noites mal dormidas, lambam as feridas com o vício que estiver mais à mão, mas acreditem sempre. Vai estar tudo guardado para vocês. E tudo se paga e se deve enquanto aqui estamos. Este foi o meu ano. O meu prémio. A minha recompensa. Tudo a que tive direito. Não sei como vai ser 2012. Mas não tenho medo. Enquanto puder olhar para ti todas as manhãs, sei que vou ultrapassar tudo com uma perna às costas e o coração cheio de gomas e confetis a bater, quente, feliz e protegido dentro do meu peito. Que é onde ele deve estar.

Sobre sexo

Não gosto de começar. Gosto de ser pressionada. Não gosto que seja sujo. Gosto do meio. Não gosto do ritual do início, tem de ser tudo bem feito, equilibrado, nem mais nem menos, como uma coreografia perfeita. E eu que não gosto de coreografias. Gostava que fosse como nos filmes, com banda sonora, tudo slow motion, tudo clean, tudo maravilhoso, tudo cheio de amor. Gosto mais de falar sobre ele do que fazê-lo. Gosto de levar as coisas na boa, de me rir a meio, de ser espontânea. Gosto de lingerie que não se despe.Não gosto da pressão que existe em fazê-lo. Gosto do fim. Especialmente, quando significa outro início.

Cá em casa,

só de dorme do lado direito da cama.

Não foi de todo contagiante...

Vi o contágio. Pois. E esta é a primeira vez que vou criticar negativamente um filme. Ora devido a uma imunidade de uma certa pessoa que não é minimamente explorada nem compreensível, ora porque a determinado momento a trama adquire um novo contexto quando existe o potencial de ser uma arma biológica feita em Hong Kong, ora a previsibilidade da entrega de um placebo (outra coisa não se estaria à espera), ora pelo meio existir uma história de um jornalista mentiroso à espera de não sei o quê, ora porque o pânico da pandemia se resume a três roubos, um supermercado meio vazio e o lixo por recolher nas ruas. Não há drama, não há angústia, não há reacção da parte do público. Estamos constantemente à espera de alguma coisa que.... não vem. E para terminar em grande, a origem do vírus é ridiculamente estúpida. Entretanto li umas críticas positivas, pela suposta realidade do filme. Pois muito bem, não sei quanto a vocês, mas a realidade em que estamos é tão má que quando penso entrar numa sala de cinema espero experimentar um mundo completamente diferente. O que não aconteceu, de todo.

Let it burn

Temos todo o direito de estar na merda. De parar, ver o mundo que conhecíamos desmoronar à nossa volta e deitarmo-nos no chão frio. Temos o direito de dar murros na parede e sentir que existe alguma coisa que dói mais que o que temos cá dentro. Depois de lutar, de chegar alto, de dar o nosso melhor, depois de engolir sapos do tamanho de dinossauros e de sermos as pessoas fortes que esperam de nós, temos o direito de gritar a plenos pulmões que não merecemos. Que a vida não pode ser só isto. Temos e devemos tapar a cabeça debaixo dos cobertores, chorar como bébes acabados de nascer e não fazer nada para nos sentirmos melhor. Mesmo quando toda a gente diz para reagir, para abrir os olhos e a janela a um novo dia, devemos abraçar a noite, esconder o sorriso e dar as boas vindas à desilusão. Existe um tempo para tudo. O tempo da desilusão, do desespero, do luto também tem de fazer parte dos nossos dias. E hoje, olhar para dois amigos que tanto me fizeram rir e agora só têm vontade de chorar, não vou dizer-lhes que vai ficar tudo bem, que há coisas muito boas à espera deles. Vou sentir o mesmo que eles, fechar os cortinados, adormecer e repetir para mim mesma as vezes que forem precisas que a vida é uma merda, a vida é uma merda, a vida é uma merda, a vida é uma merda,a vida é uma merda.

Golden Hour

"How much can you actually accomplish in an hour? Run an errand maybe, sit in traffic, get an oil change. When you think about it an hour isn't very long. Sixty minutes. Thirty-six hundred seconds. That's it. In medicine, though, an hour is often everything. We call it the golden hour. That magical window of time that can determine whether a patient lives or dies. An hour, one hour, can change everything forever. An hour can change your life. Sometimes an hour is a gift we give ourselves. For some, an hour can mean almost nothing. For others, an hour makes all the difference in the world. But in the end, it's still just an hour. One of many. Many more to come. Sixty minutes. Thirty-six hundred seconds. That's it. Then it starts all over again. And who knows what the next hour might hold."




Grey's Anatomy

Há dias em que deixo o coração contigo

...e hoje é definitivamente um deles.

Apetece-me cuspir-te na cara e dizer que te amo

Quer acreditem, quer não, o amor atrapalha. Queremos ser racionais, deitar para fora aquelas coisas que nos consomem a alma e crescem debaixo da língua. Mas o amor atravessa-se no caminho e temos de empurar aquilo tudo pela garganta abaixo e deixar andar. Mas depois acontece como com os comprimidos. E por mais água que se beba, fica tudo colado a meio do caminho. Resta-nos duas opções. Esperar que desça ou cuspir tudo da boca para fora.

Com direitos de autor

"Todas as noites me acaricio com os teus dedos, fecho os olhos e sugo os teus dedos sob o contorno dos meus e conduzo-te pelo meu corpo como tu me conduzias. Todas as noites rebolamos da cama para o chão e do chão para cima da cómoda do teu quarto e para a mesa da sala e para as lajes frias da cozinha, todas as noites percorremos abraçados a casa velha onde já não moras, a casa velha que se calhar já se desmoronou sem a nossa ajuda. todas as noites tu entras em mim por todas as portas, a tua língua silenciosa desperta vertigens desconhecidas nas partes secretas das minhas orelhas e das minhas pernas e dos meus pés. Todas as noites sinto o castanho dos teus olhos grandes dissolvendo-se nos meus com uma felicidade quente,imensa, vejo os teus quadris estreitos de rapaz dançando sobre o redondo do meu ventre, das minhas nádegas, todas as noites os teus dentes mordem o meu pescoço no sítio exacto em que o meu corpo guardava a última fechadura, todas as noites volto a subir a esse monte dos vendavais só nosso."


Inês Pedrosa, Fica Comigo Esta Noite

Uma no cravo,outra na ferradura



Analogias

"Pára de agir como um barata dentro de um caixa à espera de ser pisada!"


S.

Can I confess these things to you?

Conheciamo-nos há duas semanas. Estava meio adormecida no banco de trás. E tu ao meu lado. Lembro-me de estender a mão ao meu lado e desejar que a tua me tocasse. Olhei-te de soslaio e admiti para mim mesma que se o fizesses ficaria contigo para sempre. Senti-te mais perto que nunca. Tinha cinco anos outra vez e eras o meu conto de fadas. Foi nessa noite de chuva que me aconchegaste o coração pela primeira vez, mesmo sem saberes.

Há coisa melhor do que

atender o telefone e ouvir do outro lado olá, meu amor.

Nunca gostei de puzzles

Um dia gostava que me conseguisses perceber. Que passo horas a olhar para o telemóvel à espera de ver o teu nome nele. E, quando finalmente aparece, fico sem voz. O meu coração ocupa-me a boca inteira de tanto querer sair para ir ter contigo. Sou obrigada a mordê-lo com força para não sair e acabo por magoá-lo. Ele recua, amuado e ferido e esconde-se de mim. Depois desligas e passo horas à procura dele, debaixo da cama, atrás dos cortinados, dentro do armário. Enquanto não preencho o vazio que ele me traz sinto-me a pessoa mais frágil do mundo inteiro. A minha carapaça é tão fina que basta surgir uma lágrima para me desfazer aos bocados. Acabo por conseguir juntar tudo o melhor que consigo. Mas nunca fui boa em puzzles e quando respiro mais fundo vejo os defeitos. Ou sinto. É por isso que me dói o corpo todo.

...














My fake plastic love




A distância do presente ao futuro é grande. Nem se consegue medir. O mesmo não acontece com o passado. Dizes Já foi, e já foi mesmo. Não são segundos nem minutos, é uma fracção de tempo perdida no meio. Mas o futuro está lá longe, para lá do horizonte, não se vislumbra nem se mede, muito menos se adivinha. Mas sonha-se. E o meu maior defeito é sonhar acordada. Não tenho medo de o fazer, faz parte de mim, criar as espectativas, prever os actos, acrescentar cenas. Sou uma realizadora a tempo inteiro. E porque será isto um defeito? Simples. Convenço-me de que tudo vai acontecer daquela maneira, a minha. Ponho o meu coração todo de fora e todo dentro desse futuro que nem consigo tocar. Depois deixo-me de molho à espera que aconteça. O grande problema é que enquanto sonho acordada não vejo o que se passa à minha volta. Não percebo os pequenos pormenores e a subtileza das coisas. Não ajo. Não vivo. E, na maior parte das vezes, quando volto a abrir os olhos já é tarde demais.

Conviver comigo mesma é o maior desafio dos meus dias.

E depois dá nisto

É dificil perceber o quanto precisamos de alguém. Se a dependência é positiva ou se nos mascara os dias mais cinzentos. É adormecer com a cama cheia, comer sorrisos e rezar para não dependermos de nós próprios mais uma vez. É quando estamos longe desse calor que nos apercebemos do frio que faz cá fora ou o quanto já nos deixámos queimar. Saí com o coração a arder e agora tento mantê-lo quente o melhor que posso. Mas será essa a verdadeira razão? Não será mais fácil evitá-lo? O corpo pede e a cabeça recusa. Gostava de acreditar que me fazes bem. Que quando acordo em dias de chuva posso virar-me para o outro lado e voltar a adormecer. Que me fazes bem ao corpo e à alma. E conseguir levantar-me sozinha? Terei de voltar a enfrentar isso? Sentir o chão gelado debaixo dos pés? Teria sido melhor nunca experimentar-te?

Acerca de mim

A minha foto
O meu nome é Joana. Sou insatisfeita por natureza, quero sempre mais e sempre melhor. Sou indecisa, mas quando me decido vou até ao fim do mundo. O meu sonho é fotografar o mundo e as coisas bonitas que nos rodeiam. O meu grande sonho é não ter limites para o fazer.